18 de fev de 2011

O Tesouro de Hochdorf



 Fotos: Museu Celta de  Hochdorf

Em 1977, um arqueólogo amador descobriu na Alemanha, perto da localidade de Hochdorf an der Enz, Baden- Württemberg, uma tumba celta do século 530 AC ricamente guarnecida, localizada em um sítio arqueológico de aproximadamente 60 metros de diâmetro. Logo, a tumba passou aos cuidados do arqueólogo Dirk Krausse e sua equipe, que se referiu à descoberta como um marco da arqueologia e do estudo da cultura celta. O local onde a tumba foi encontrada é chamado de “Oppidum”, palavra em latim para vila ou burgo e originalmente tinha 6 metros de altura, com a forma de uma colina.
     Usando uma nova técnica de escavação, os arqueólogos foram capazes de retirar toda a câmara fúnebre de só uma vez, ao contrário da técnica antiga de retirar peça por peça. A câmara mede 12 x 15 m2 e foi retirada como um grande bloco de terra e transportado para Stuttgart. A razão para tal técnica é que os arqueólogos queriam preservar todo o material achado dentro da câmara mortuária sem correr o risco da exposição ao ar livre, o que geralmente danifica tecidos e vestimentas.
     Dentro da tumba, jazia um homem com aproximadamente 40 anos e 1,87 m de altura, deitado num elegante sofá feito em bronze, ao estilo romano. Pelas ricas vestimentas e pelos objetos encontrados no corpo e ao redor dentro da tumba, o homem foi um chefe celta que viveu há 2.600 anos. No pescoço estava um torc (colar de batalha usado por várias culturas antigas, incluindo a celta) feito em placa de ouro, um bracelete no braço direito, um chapéu feito de casca de bétula, uma adaga de ferro e bronze decorada em ouro, joias em âmbar, uma navalha, um cortador de unhas, um pente, anzóis, flechas e, o mais fantástico, placas de ouro trabalhadas que decoravam seus sapatos. Aos pés do sofá, um grande caldeirão decorado com três leões.  O caldeirão continha originalmente 400 litros de hidromel. Do lado oposto ao sofá de bronze, uma espécie de carroça feita em madeira com um conjunto de pratos em bronze e chifres que serviam como copos pendurados na parede, utensílios suficientes para servir nove pessoas.

     A tumba do chefe celta data do último período da chamada Cultura Halstatt (640-475 AC) e que já foi objeto de artigo anterior de minha autoria.  A exatidão do período de tempo foi possível por causa das joias em ouro e bronze encontradas na tumba.