23 de nov. de 2012

Uma Paixão Transformada em Comenda

Rei Eduardo III


A Ordem da Jarreteira é a mais alta e mais antiga comenda britânica e foi instituída pelo rei inglês Eduardo III em 1348. Ao criar a Ordem, composta pela pessoa do rei e por 25 cavaleiros, Eduardo III quis premiar e reconhecer os que se destacavam pela lealdade à Coroa e pelo mérito militar. Os primeiros a serem condecorados pelo rei com a Ordem da Jarreteira além do seu próprio filho, o príncipe de Gales (também conhecido na História pela alcunha de Príncipe Negro, devido à cor da sua armadura de batalha e ao seu valor militar), foram os cavaleiros que serviram nas campanhas inglesas em território francês, especialmente durante a famosa Batalha de Crécy, campanhas que iniciaram o conflito medieval entre Inglaterra e França que seria conhecido mais tarde como a Guerra dos Cem Anos e que foram motivadas pela reivindicação de Eduardo III ao trono da França. Todos os primeiros cavaleiros agraciados tinham idades que variavam dos dezessete aos trinta e poucos anos. 
Rainha Philippa de Hainault

Conta a História sobre a origem romântica da Ordem, uma jarreteira (ou liga) azul: O rei Eduardo III, coroado aos 14 anos, era filho de uma princesa francesa de nome Isabelle, mais tarde rainha da Inglaterra, com o rei inglês Eduardo II. Eduardo casou-se muito cedo, aos quase 15 anos, com seu primeiro amor, a princesa belga Philippa de Hainault, a quem era muito devotado e com quem teve 13 filhos. 


Após anos de fidelidade no casamento, e já com uma esposa não muito atraente devido aos inúmeros partos, Eduardo III se apaixona por uma bela mulher casada, Joan, então condessa de Salisbury. Apesar de tentar várias vezes iniciar um romance com a condessa, que já estava no seu segundo casamento, o rei Eduardo via-se frustrado em todas as suas tentativas, mas continuava obstinadamente apaixonado por Joan.
Joan, condessa de Salisbury e de Kent

Então, durante um banquete festivo em Calais, onde os ingleses celebravam sua conquista sobre a cidade francesa, o rei Eduardo III pede que a condessa o acompanhe numa dança. À contragosto, Joan aceita o pedido irrecusável do rei e começam a dançar na frente de toda a Corte e da rainha Phillippa, que estava presente. No meio da dança, uma das ligas que seguravam as meias de Joan se desata e cai no chão. Imediatamente, e para espanto de todos, o rei recolhe a liga azul do chão e a amarra abaixo do seu joelho esquerdo. Ante os murmúrios baixos de damas e cavalheiros presentes, Eduardo III pronuncia a frase que se tornaria mais tarde o lema da Ordem: “Honi Soit Quit Mal Y Pense” (maldito seja quem pensar mal).

A comenda da Ordem da Jarreteira é formada atualmente (durante os séculos foram feitas modificações no design inicial) por uma fita de veludo azul-escuro decorada com diamantes em lapidação brilhante (onde se pode ler o lema da Ordem) e por um broche em forma de estrela feito em ouro, que deve ser usado no lado esquerdo do peito, e decorado com diamantes, rubis e esmalte azul.
O rei não conseguiu o coração de Joan, mas seu filho, o Príncipe Negro, sim. Mulher de beleza notável, Joan era dona de uma história afetiva conturbada. Seu primeiro casamento com o nobre Thomas Holland, realizado secretamente, foi considerado nulo por sua própria família e pelo rei na ausência de Holland, que viajara para a Prússia em busca de honras militares. Após a anulação, Joan é obrigada a se casar com William Montague, futuro conde de Salisbury e um dos amigos mais próximos do rei. 

Mas seu primeiro marido, ao voltar da Prússia, pede a anulação deste segundo casamento ao Papa e Joan apóia o seu gesto, sendo por isso encarcerada num castelo pelo seu segundo marido, que só a liberta ao receber uma ordem papal. Thomas Holland, agora duque de Kent, e Joan voltam então a serem casados. Com a morte do duque e já com a fama de maior dama da cavalaria medieval, devido ao episódio da liga azul, Joan se casa com o Príncipe Negro, apaixonado por ela desde muitos anos e também envolto, devido às suas ações em batalha, em uma aura de herói da cavalaria. Joan torna-se mais tarde, com a morte do marido e príncipe de Gales - que morre antes de seu pai, o rei Eduardo III - mãe do próximo rei inglês, Ricardo II.

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